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Floresta de
MARÉS

Entre a maré alta e a maré baixa, quais florestas podemos ver? O que as marés representam para as águas e para a vida humana e mais do que humana? Quais cosmologias e tecnologias permeiam a vida cotidiana de comunidades tradicionais caiçaras? O que podemos aprender com essas comunidades guardiãs, com os mares e florestas de mangues para repensarmos nossas relações com as águas e com a vida, diante dos impactos gerados pelo colapso climático que estamos vivendo? 

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Como parte do projeto de pesquisa curatorial Cosmotechnologies of Water – uma colaboração entre o Humboldt Forum, Ethnologisches Museum of Berlin e o Goethe-Institut Colombia –, Territórios Sensíveis desenvolveu a pesquisa e instalação imersiva-performativa Floresta de marés.

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Com minha curadoria, a instalação será composta de sete obras que emergiram durante os dois anos de pesquisa (2024-2026). A obra contou com a participação de cinco comunidades pesqueiras, cinco artistas e duas cientistas, uma bióloga e uma oceanógrafa, e a parceria do Laboratório de Oceanografia Química (Laboqui/Uerj), com coordenação da profa. Dra. Letícia Cotrin.

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Esse texto apresentará as fases de pesquisa, as obras em desenvolvimento e o projeto expositivo que está sendo elaborado junto com os estúdios Sauá, Grunder Kirfel e The GreenEyl.

Cosmotecnologias da Água

Diante dos projetos desenvolvidos por Territórios Sensíveis, especialmente o projeto Baía de Guanabara (2019-2023), em maio de 2024, fui convidada a ser uma das curadoras do projeto Cosmotechnologies of Water, uma parceria entre Humboldt Forum e Instituto Goethe, Alemanha. Este é um projeto que está sendo desenvolvido na América Latina, sobre narrativas de patrimônio, propriedade e questões de acesso aos recursos naturais, com uma perspectiva das comunidades tradicionais: indígenas, quilombolas e caiçaras.  Comunidades cujas vozes têm sido marginalizadas e sufocadas pelos interesses econômicos e por decisões políticas. 

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Com longa duração e tendo como foco não só a criação artística, mas o desenvolvimento de metodologias e pesquisas em torno do que nomeamos como Cosmotecnologias: Cosmovisões e Tecnologias Ancestrais, Cosmotechnologies of Water aborda a água em suas várias nuances: colonização, poluição, extrativismo, espiritualidade, conhecimento ancestral e vida. 

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Conjuntamente e colaborativamente, o coletivo curatorial, composto por cinco curadoras, concebeu um projeto balizado metodologicamente por ações performativas, afetivas e efetivas junto a comunidades tradicionais e originárias, valorizando as singularidades das metodologias propostas por cada curadora, mas tendo nas ações elaboradas e realizadas com as comunidades locais de cada país o foco central.   

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Esse projeto, desde sua proposição inicial, não se define como puramente artístico, mas tem as artes como mediação para as discussões e proposições sobre Água, não como tema, mas como um Ser Vivente.

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A equipe do projeto é composta pelas curadoras Andrea Scholz (Alemanha, Colômbia), Gabriela Urrutia (Chile), Juliana Steiner (Colômbia), Sandra Benites (Brasil) e Walmeri Ribeiro (Brasil), com coordenação de Anne Bechstedt e Stephanie Maiwald (Instituto Goethe-Bogotá) e Andrea Scholz (Humboldt Fórum, Museu Etnológico de Berlim), e produção de Natália Pávia (Colômbia).

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Como parte do projeto de pesquisa curatorial, cada curadora apresentou uma proposição a ser realizada em territórios específicos. Em minha curadoria, apresentei Floresta de marés, fundamentada na metodologia já apresentada nesta tese e realizada na baía de Guanabara, no Rio de Janeiro.

 

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Território_ Baía de Guanabara

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Na construção da pesquisa Floresta de marés, mergulhamos novamente nas águas da baía de Guanabara, localizada no Rio de Janeiro, em seus rios afluentes e nos manguezais ainda vivos que a cercam e protegem. Com 412 quilômetros quadrados de extensão, banhando 14 municípios, sua bacia hidrográfica é composta por 146 rios, praias, costões rochosos, manguezais e 53 ilhas remanescentes após vários processos de aterramento e intervenções.

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Considerada pelos povos indígenas brasileiros como o seio de mar, onde surgiu a vida na terra, a baía de Guanabara, desde a colonização do Brasil, foi e continua sendo um dos mais importantes caminhos para o tráfego de navios de carga transatlânticos, que partem e chegam do/no porto do Rio de Janeiro, um dos mais importantes do Brasil.  O porto do Rio de Janeiro foi, infelizmente, o porto que mais recebeu pessoas escravizadas no Brasil.  E, com essa história, tornou-se também, pelas facilidades marítimas de conexão, o porto mais importante do país para escoamento de minério, gás, petróleo e produtos em geral. Hoje, é o segundo maior porto do Brasil, e a maior base offshore para atender as indústrias de gás e petróleo, por sua posição geográfica entre duas grandes bacias do pré-sal: bacias de Santos e Campos. Como consequência da colonização de suas águas, assim como de um crescimento urbano desordenado, sem infraestrutura adequada e servindo como entreposto para empresas petrolíferas, temos hoje uma baía de Guanabara com alto índice de poluição e destruição. É também rota de tráfico de drogas e armas. Para além do controle das águas, as facções do narcotráfico e da milícia controlam as faixas territoriais e a vida das comunidades que vivem às suas margens. 

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Mas, nesse cenário, muitas são as lutas e conhecimentos tradicionais de uma população que resiste ao extrativismo acentuado, à poluição e à colonização dessas águas e dos corpos humanos e mais que humanos que nelas habitam, atuando como guardiões dessas águas e espécies marinhas, vivendo em uma relação de cuidado, escuta, respeito e coexistência.​​​

Mapeamento Performativo e Questões Emergentes

​Com nossos corpos em performance, porosos, atentos e permeáveis, nos lançamos a um tempo de escuta profunda e coexistência com o território baía de Guanabara e seus entes humanos e mais que humanos. 

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O mapeamento performativo de Floresta de marés foi realizado entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025, com a presença e colaboração das artistas-pesquisadoras Ana Emerich, Ana Clara Mattoso, Gabriela Bandeira, Marcela Cavallini e Sofia Mussolin, da bióloga marinha Carolina Coelho da Costa Waite, da oceanógrafa Andresse Maria Gnoatto (Andie Maral),  da curadora e artista Walmeri Ribeiro e das seis comunidades caiçaras e quilombolas que vivem ao redor da baía de Guanabara, assim como às margens de rios afluentes: de São Gonçalo, contamos com Aline Luz (Itaoca),  Jose Roberto da Silva|Tinguá (Itaoca), Baiano e Bruno (Praia das Pedrinhas);  de Magé, com Didino Ferreira (colônia Z-9), Valdirene, Almirena, Aldenir (Quilombo do Feital), Rafael, Vagner, Márcia e as mulheres da ACAMM (Associação de Caranguejeiros de Suruí); e da Ilha do Governador, contamos com Thiago Veludo Couto|Thiago Caiçara, Luiz Antônio-Pãozinho, Geraldo de Jesus Coutinho Salles Paiva e Gilliard Quintanilha Tavares.

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As ações do mapeamento foram construídas conjuntamente com as comunidades e compostas por: percursos de barcos pela Baía e pelos mangues; workshops realizados pelas artistas e pelos pescadores, em uma troca de conhecimento e técnicas; percursos a pé pelos manguezais e cata de caranguejos; acompanhamento de pescas de curral, mergulho e espera; comida afetiva, preparação de alimentos e pratos típicos das comunidades; rodas de conversa e partilha.

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Desse mapeamento emergiram – graças a uma escuta profunda e de muito diálogo entre todas as pessoas envolvidas no projeto, assim como a do próprio território – as questões centrais que nortearam todas as atividades posteriores e algumas proposições para o desenvolvimento laboratorial:

 

Cosmotecnologias

  1. Conhecimento dos movimentos das marés e manguezais;

  2. Climatologia ancestral;

  3. Mulheres na pesca;

  4. Relação mar e alimento;

  5. Espiritualidade;

  6. Herança ancestral, utensílios, ferramentas e técnicas de pesca;

  7. Mitos e lendas;

  8. Respeito pelas águas e suas vidas;

  9. Relação não-hierárquica humano-natureza;

  10. Ciclo de reprodução das espécies;

  11. Cuidado.

 

Poluição e aspectos antrópicos

  1. Poluição por falta de infraestrutura sanitária;

  2. Poluição química pelas indústrias; 

  3. Poluição por lixo flutuante;

  4. Entrepostos petrolíferos e vazamentos;

  5. Poluição sonora pelos navios;

  6. Estacionamento de grandes embarcações offshore nacionais e internacionais;

  7. Assoreamento pelo tráfego de grandes embarcações;

  8. Falta de monitoramento das grandes corporações e indústria pesqueira (pesca de arrasto)

  9. Ausência de políticas públicas e fiscalização.

 

Colonização e violências

  1. Controle da área de navegação e linha d’água pelas grandes corporações petrolíferas;

  2. Restrição de acesso da população caiçara às águas e às ilhas pela marinha e pelas companhias petrolíferas;

  3. Água de lastro com espécies invasoras;

  4. Instalação de dutos de transporte de gás e óleo.

  5. Controle das águas e das faixas terrestres pela milícia e narcotráfico;

  6. Extinção de espécies marinhas e o impacto nos conhecimentos de técnicas específicas;

  7. Dizimação da pesca artesanal e dos conhecimentos ancestrais ligados à pesca e aos mares;

  8. Impacto das mudanças climáticas no conhecimento da climatologia ancestral;

  9. Invisibilidade das comunidades e seus conhecimentos.

Falar a Língua do Pescador

videoensaio | Imagens: Ana Clara Mattoso e Sofia Mussolin
Baía de Guanabara | Rio de Janeiro | 2025

Do Lado de Lá: ilhas do petróleo
videoensaio | criação: Walmeri Ribeiro e Ana Clara Mattoso

Baía de Guanabara | Rio de Janeiro | 2025

Laboratórios de Pesquisa e Criação Artística

 

Para o desenvolvimento desta investigação, realizamos seis laboratórios de pesquisa e criação, divididos em duas etapas: Na primeira etapa, realizada entre junho e dezembro de 2025, os laboratórios, propostos pelas artistas e pela curadora, tinham como objetivo investigar possibilidades estéticas de abordagem das questões que emergiram durante o mapeamento. Na segunda etapa, realizada coletivamente, entre janeiro e março de 2026, passamos a desenvolver as obras que participarão da exposição AGUA. The Art and Cosmologies of Water.

 

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Uma Guanabara 

 

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Como tocar a imensa possibilidade de sons, imagens, memórias e atualidades ambientais da baía de Guanabara?  Partindo desse questionamento, a artista sonora Ana Emerich e os pescadores artesanais Didino Ferreira, Gilliard Quintanilha Tavares e Thiago Caiçara percorreram diferentes percursos da baía de Guanabara em um pequeno barco de madeira e com microfones ultrassensíveis-direcionais, de contato e subaquático.

 

As coletas foram realizadas em contato direto com as fontes sonoras e as materialidades diversas do lugar. Nesse processo, o exercício da permanência sobre as águas foi entendido como gesto primordial da pesquisa. A escuta – tecnologia orgânica dos ouvidos – operou como linguagem para a construção de uma poética situada. Esvaziar os ouvidos e perceber o que a própria baía decidia esconder, mostrar, sugerir ou reivindicar orientou o trabalho em campo, conduzido pelas marés por presenças humanas e mais que humanas, naturais e químicas. O contraste entre o gigantismo dos transatlânticos e a escala orgânica dos corpos orientou o recorte conceitual da investigação.

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Esse laboratório desdobrou-se na instalação sonora e arquitetônica Uma Guanabara, composta por imagens à escuta, em uma poética de pequenas ecologias. A tecnologia orgânica dos ouvidos irá operar, assim como na pesquisa, como gesto de linguagem e como ferramenta estrutural da obra, traçando convivências ou fricções entre inauditos, estridências, navios transatlânticos, águas-vivas, detritos químicos, peixes, motores, currais de pesca, pássaros. A instalação faz ressoar diferentes vozes, das águas e seres da Guanabara, elaborando gestos de vitalidade e de invenção de mundos, em escape a representações.

Flutuações  

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O laboratório Flutuações foi realizado pela artista Gabriela Bandeira com duas comunidades de mulheres na ilha de Itaoca, território do município de São Gonçalo, banhado pela baía de Guanabara. O primeiro grupo de mulheres faz parte da colônia de pescadores e pescadoras da praia da Luz; o segundo é composto de mulheres remanescentes da colônia de catadores e catadoras de resíduos, do antigo aterro sanitário, em funcionamento de 1980 a 2012. Participaram: Aline da Silva, Ana Clara da Conceição Henrique, Assucena Oliveira, Flaviele Souza Cruz, Jessica Bernardo de Abreu Alves, Laura Torres, Lívia Santos, Maiara Aparecida, Marcela Pontífice de Oliveira, Márcia Cristina, Sueli Bernardo. Equipe Técnica: Ademir Lúcio da Silva Junior (videomaker), Andresse Maria Gnoatto (oceanógrafa), Carolina Coelho da Costa Waite (bióloga marinha), Guará (fotógrafo), Keiko Mayama (ceramista). 

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Durante os encontros, foram investigados o gesto manual, o movimento-grafia das mãos de mulheres pescadoras e catadoras, o papel do barro e como ele é significado por essas comunidades. A linguagem e o material artístico que ligaram esses encontros foi o contato com a argila e seus estados de transformação, do gesto ao objeto. As ações são atravessadas por reflexões e discussões que visam contextualizar o poder das marés, seus impactos nos corpos da Floresta de marés, do mar e dos manguezais, mas também as conexões cíclicas que nos unem e atravessam. Conexões formadas pela ação coletiva, bem como pela demonstração dos gestos das mãos que cuidam, pescam e se unem com carinho para resgatar e valorizar o conhecimento ancestral. Mas, também, que podem imaginar mundos possíveis. Essas vivências levaram ao desenvolvimento de uma instalação, produzida coletivamente em colaboração com uma parte desse grupo de mulheres. Essa obra busca imprimir a potência do movimento das marés e da cosmologia caiçara.

Corpos de Mar 

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A artista Marcela Cavallini propôs a imersão performativa Corpos de mar com um grupo de quatro pescadores: Gabriel, Geraldo, Gilliard e José Roberto (Tinguá), moradores da região de Itaoca, em São Gonçalo (RJ), e da colônia de pescadores Z-10, na Ilha do Governador. A primeira fase da imersão aconteceu ao longo de três dias, em encontros realizados na Associação de Pescadores da Colônia Z-10. Nessa etapa, buscou-se acionar vínculos sensíveis derivados do conhecimento da pesca, tanto pela via da oralidade quanto pela presença viva de quem corporifica esse saber em sua prática diária. A partir de exercícios de sensibilização e preparação corporal, os gestos ou técnicas da pesca emergiram também como espaço de negociação, escuta e invenção compartilhada. Como resultado, desenvolveu-se um programa de ativações que busca inventariar as gramáticas corporais da pesca, inscritas e transmitidas pelos seus corpos que vivem cotidianamente o encontro com o mar.   

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Com a demanda de mais tempo de trocas, foi proposto um deslocamento que consistia em sair do território de pesca e nos encontrar em um espaço de dança. Ali, o grupo se entregou a exercícios de improvisação e criação coreográfica. Os movimentos mapeados inicialmente se transformaram e se desdobraram em imagens poéticas vindas da pesca, configurando matrizes de uma futura proposta performativa e/ou coreográfica, acompanhada por frases e/ou pensamentos captados das falas dos pescadores. Essa pesquisa se desdobrou na videoinstalação Gestos da Pesca e na performance Corpos de Mar.

Corpos de Mar

Registro de Processo | Investigação: Marcela Cavallini, Gilliard Tavares, Geraldo Paiva,

José Roberto da Silva (Tinguá), Gabriel Leal | Imagens e Montagem: Sofia Mussolin

Refúgios 

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Refúgios nasceu de uma ação proposta pela artista Sofia Mussolin junto aos pescadores artesanais Roberto Santos da Silva (Tinguá), Gabriel Leal, Thiago Caiçara e Gilliard Quintanilha Tavares, buscando evidenciar as múltiplas vidas humanas e mais que humanas que vivem na baía de Guanabara. Esses refúgios que se revelam no limiar da noite ou do amanhecer — momentos liminares em que a cidade moderna perde sua onipotência e outras formas de vida, muitas vezes marginalizadas, silenciadas ou esquecidas, tornam-se visíveis. Em uma primeira etapa, realizada na baía partindo da praia das pedrinhas em São Gonçalo durante a madrugada, com os pescadores artesanais José Roberto Santos da Silva (Tinguá) e Gabriel Leal, observou-se a presença de vida no vento, nos seres da água, no silêncio, nas pequenas e grandes embarcações e nas ilhotas de terra que surgiam durante o trajeto. Uma segunda etapa foi realizada com os pescadores e mergulhadores por apneia Thiago e Gilliard, da Z-10, na Ilha do Governador, onde a presença das empresas petrolíferas e o tráfego de navios se impõem. Os refúgios encontram-se, assim, embaixo da linha d’água, junto com as cracas e os mexilhões agarrados nas pedras.  

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As pesquisas sobre a produção de CO2 na baía de Guanabara, realizadas pelo Laboratório de Oceanografia Química (Laboqui/UERJ) com coordenação da profa. Dra. Letícia Cotrin, e sobre os mexilhões invasores, realizada pelo Laboratório de Ecologia dos Sedimentos (Ecosed|UFF), somadas às pesquisas de Carolina Wayne e Andy Amaral (Guardiões do Mar) e dos quatro pescadores envolvidos no projeto, nos mostraram caminhos estéticos de como compartilhar de forma sensível esses dados e informações. Ainda como parte da pesquisa, uma câmera analógica retornável foi utilizada pelos pescadores durante seus dias de trabalho a fim de retratar o que eles concebiam como os refúgios na baía de Guanabara. Essas imagens foram reveladas com as águas da própria baía, a fim de que ela também inscreva fisicamente sua presença na composição de imaginário desse território. As imagens, digitalizadas e animadas em sequência, formam um vídeo de 30 segundos, exibido em loop contínuo, sem áudio.

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Assim, a instalação de vídeo (2 canais) navega por essas águas protegidas, criando imagens delicadas que acompanham as transformações em curso na baía: mudanças na temperatura da água, nos níveis de CO₂ e os impactos das espécies invasoras. Os efeitos físicos dessas mudanças repercutem emocionalmente nos territórios e nas rotinas dos pescadores artesanais. A obra considera gestos ecológicos, bem como gestos narrativos. A obra mergulha no mistério da formação da imagem dentro desse claro-escuro: um campo entre o visível e o invisível, entre o que ainda resiste e o que já está se transformando.

Refúgios

Registro de Processo | Investigação: Sofia Mussolin, Gilliard Tavares, Thiago Caiçara,

José Roberto da Silva (Tinguá),Gabriel Leal | Imagens e Montagem: Sofia Mussolin

No Fundo da Baía Moram Meus Ancestrais

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Neste laboratório, Ana Clara Mattoso, Aline Luz, Christofer da Silva Santos, Janine da Silva, Jurandina da Silva (Dina) e Thalia dos Santos Gonçalves desenvolveram uma pesquisa que parte da ancestralidade feminina na pesca para traçar as histórias submersas de uma baía de Guanabara insubmissa. As atividades se iniciaram a partir do encontro com Aline Luz, que compõe a oitava geração de mulheres pescadoras na sua família. Guiados por ela, conhecemos Itaoca, uma ilha em São Gonçalo, município do Rio de Janeiro/RJ, banhada pelas águas da baía. 

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Ao longo dos dias de pesquisa pode-se observar que em Itaoca as fronteiras são sitiadas, tomadas por barricadas e leis próprias, específicas a um território em disputa – seja pela presença do tráfico de drogas, seja pela presença das grandes empresas petrolíferas e companhias de pesca em larga escala. Praticamente invisível ao estado e à sociedade para além de suas bordas, a ilha permanece um espaço mítico, composto por lendas e relatos que escapam ao tempo moderno. Nas vivências e conversas, seja entre a pesca, nos preparos de mexilhão e no aprendizado do traçar a rede, o corpo figura como repositório de narrativas que se sobrepõem à linearidade histórica ocidental, atualizando gestos e práticas do passado a partir da constituição de uma herança familiar impalpável, reconhecida como ensinamento que deve ser preservado. 

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Esse laboratório resultou no filme No fundo da baía moram meus ancestrais. Na narrativa, incorporando a presença de sua falecida avó Laurinda, Aline Luz, acompanhada por suas filhas, tia e mãe, tece uma grande rede de pesca na praia, uma prática outrora comum entre os mais velhos, mas que hoje já desapareceu. Em meio a mulheres rebeldes, um vulcão adormecido, mexilhões verdes, cavalos, bruxas e fantasmas, a rede continua a ser lançada ao mar.

No Fundo da Baía Moram Meus Ancestrais

Registro de Processo | Investigação: Ana Clara Mattoso, Aline Luz, Janine da Silva,

Thalia dos Santos Gonçalves | Imagens e Montagem: Ana Clara Mattoso

Floresta de Marés: instalação performativa imersiva

 

Com o pescador artesanal Didino Ferreira experienciei da tecitura dos currais de pesca à plantação e colheita. Esse laboratório consistiu em aprender a técnica da construção dos currais, passada dos pais para os filhos, e acompanhar o plantio dos currais no Recôncavo da Guanabara e a colheita dos peixes.

Onde os Peixes Brincam

Registro de Processo | Investigação: Walmeri Ribeiro e Didino Ferreira

Imagens: Ana Clara Mattoso e Sofia Mussolin | Montagem: Ana Clara Mattoso

Os currais de pesca, construídos com bambu e fibra, são divididos em três partes: anzóis, sala de espera e viveiro, onde os peixes brincam, como me explicou Didino. Dessa imersão nos currais de pesca, das derivas pelas águas da baía e das longas conversas com Didino, emergiram a proposta da escultura Floresta de marés e a concepção curatorial que será apresentada a seguir.

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Para projetar um curral de pesca como uma escultura, integramos ao nosso laboratório a equipe do Estúdio Sauá, coordenada pela arquiteta Tânia Sarquis.

Maquete criada por Didino Ferreira

Concepção Curatorial

"Confluenciar é uma energia de união e compartilhamento que fortalece indivíduos e comunidades, como rios que se unem sem perder suas singularidades”

(Nego Bispo, 2023)

 

Com o gesto curatorial, poético e crítico de Confluenciar, Floresta de Marés inspira-se no pensador quilombola Nêgo Bispo. Mergulhamos no universo das águas, em diálogo com as cosmotecnologias caiçaras. Navegamos pelas águas da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, Brasil. Entre águas doces e salgadas, marés, ilhas, arquipélagos e florestas de manguezais. Indagamos formas de coexistência humanas, não humanas e maquínicas. Entre gestualidades, temporalidades, corporeidades e territorialidades investigamos questões emergentes das relações entre corpo e território. Como transformar nossos corpos de artistas, de cientistas e de pescadores, em corpos porosos (Ribeiro, 2023)? Corpos capazes de se lançar ao campo do afeto, do imaginário e da potência de agir interferindo nas camadas sociopolíticas-ambientais da sociedade contemporânea? Nesse navegar, o território Baía de Guanabara, com suas águas, vidas e intervenções antrópicas, foi também se corporificando.

 

Um Imergir Floresta

 

Entre a maré alta e a maré baixa, quais florestas podemos ver? O que podemos aprender com as comunidades caiçaras, com as marés e florestas de mangues? Como repensarmos, junto com eles, nossas relações com as águas e com a vida, diante dos impactos gerados pelo colapso climático que estamos vivendo?

 

Floresta de Marés emergiu de uma curadoria performativa, ancorada na performance como pesquisa - PaR, nas práticas artísticas situadas e na implicação do corpo e de um conhecimento corporificado para o surgimento de possíveis questões, ecologias e práticas artísticas. Em um imergir Floresta, um coletivo temporário de artistas, cientistas e comunidades caiçaras, mergulhou, ao longo de dois anos de pesquisa artística, em toda a potência de vida, espiritualidade, purificação, movimento, força transformadora das águas da Baía de Guanabara. Mas, também, em sua objetificação, colonização, privatização, poluição e escassez.

 

Como rios que se unem sem perder suas singularidades e navegando por arquipélagos, em busca de relações e conexões fluidas, que abrem novos modos de percepção (Glissant, 2021), emergiu Floresta de Marés. Uma instalação performativa-imersiva composta por sete obras desenvolvidas a partir do encontro, da colaboração, do diálogo e da coexistência entre artistas, cientistas, comunidades caiçaras e as águas da Baía de Guanabara.

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Confluenciando, o coexistir emergiu como gesto curatorial, desdobrando-se em uma única instalação que respeita as singularidades das obras, mas as coloca em contato e convivência. Inspirada nos currais de pesca da Baía de Guanabara, no movimento e tábua das marés, a instalação está dividida em três partes. Como encantamento mergulhamos “No Fundo da Baía onde moram meus Ancestrais” encontrando "Refúgios". Como presença, um permanecer nas ondas de “Flutuações". Em um navegar pelo movimento das marés, entre a maré cheia e maré rasante, entre o que se vê e o que está oculto, chegamos ao viveiro, para sentir e imaginar, coexistindo em “Uma Guanabara", com “Gestos da Pesca”, “Do Lado de Lá".

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Floresta de Marés convida a habitar a porosidade das águas da Baía de Guanabara, onde cosmotecnologias caiçaras e forças do extrativismo fóssil se encontram em experiências sensíveis.   

 

Equipe

Floresta de Marés | curadoria – Walmeri Ribeiro; Refúgios – Sofia Mussolin, Tinguá e Gabriel Leal;

No Fundo da Baía Moram Meus Ancestrais - Ana Clara Mattoso, Aline Luz, Janine da Silva, Thalia dos Santos Gonçalves; Flutuações – Gabriela Bandeira, Aline da Silva, Assucena Oliveira, Andie Maral, Carolina Waite, Flaviele Souza Cruz e Sueli Bernardo; Uma Guanabara – Ana Emerich, Thiago Caiçara e Gilliard; Gestos de Pesca - Marcela Cavallini, Gilliard, Geraldo, Tinguá e Gabriel Leal Do Lado de Lá – Walmeri Ribeiro e Thiago Caiçara;  Floresta de Marés | instalação: Walmeri Ribeiro, Didino, com rojeto técnico de Estúdio Sauá; Acompanhamento Curatorial – Ananda Carvalho.

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Exposição

 

AGUA: The Art and Cosmologies of Water 

Humboldt Forum -  Berlim

28/11/2026 a 30/06/2027



 

FLORESTA DE MARÉS: Instalação imersiva-performativa

 

Respire. Abra os olhos devagar e com cuidado. Confluencie. Busque pela energia de união e compartilhamento que fortalece indivíduos e comunidades. Procure pelos gestos de coexistir. Navegue entre as temporalidades, corporalidades e territorialidades das águas da Baía de Guanabara. Atravesse ilhas, arquipélagos, manguezais e rios afluentes. Saia do seu espaço confortável. Inspire e abra espaço em seu corpo. Expire. Torne-se um corpo poroso. Mergulhe. Como confluenciar cosmotecnologias caiçara e forças antrópicas do extrativismo fóssil? Ative sua escuta profunda. Coexista.

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Floresta de Marés é uma instalação performativa-imersiva composta por obras criadas a partir do encontro, da colaboração e do diálogo entre artistas, cientistas e comunidades tradicionais caiçara que vivem nas e das águas da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, Brasil. 

Walmeri Ribeiro

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Obras

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Floresta de Marés

Escultura imersiva

Por Walmeri Ribeiro e Didino Ferreira

 

Floresta de Marés é um convite à presença, a um mergulho nas águas e vidas da Baía de Guanabara. Um estar, permanecer, sentir e imaginar, entre movimentos e fluxos de mares, mangues e rios. Inspirada nos currais de pesca do recôncavo da Guanabara e em diálogo com as cosmotecnologias indígenas e caiçara, a instalação é composta por três partes: anzóis [encantar], ante-sala [permanecer] e viveiro [Imaginar], abrigando as seis obras que compõem a instalação performativa-imersiva de mesmo nome.

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Refúgios 

Videoinstalação- 2 canais,  10'

Por Sofia Mussolin, Thiago Caiçara, Giulliard, Tinguá, Gabriel Leal

 

A videoinstalação Refúgios nos convida a mergulhar no coração da cidade do Rio de Janeiro, na Baía de Guanabara, onde se abrigam lugares específicos para a vida compartilhada. Esses refúgios se revelam no limiar da noite ou do amanhecer — momentos liminares em que a cidade moderna perde sua onipotência e outras formas de vida, muitas vezes marginalizadas, silenciadas ou esquecidas, tornam-se visíveis. É o momento dos refúgios multiespécies: obscuros, instáveis, férteis. Nas fendas do mundo moderno — onde humanos e animais coexistem, muitas vezes sem escolha, dentro do mesmo território fragmentado — uma coexistência frágil e provisória toma forma. A instalação navega por essas águas protegidas, criando imagens sensíveis que acompanham as transformações em curso na baía: mudanças na temperatura da água, nos níveis de CO₂ e nos impactos de espécies invasoras. Os efeitos físicos dessas mudanças reverberam emocionalmente nos territórios e nas rotinas dos pescadores artesanais. O trabalho considera gestos ecológicos, bem como gestos narrativos. A forma como certas espécies se comportam, se adaptam, migram ou desaparecem convida a uma abordagem mais do que humana da etnografia — uma abordagem em que o não humano não é meramente um pano de fundo, mas um agente. O trabalho investiga o mistério da formação da imagem dentro deste claro-escuro: um campo entre o visível e o invisível, entre o que ainda resiste e o que já está se transformando.

 

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No Fundo da Baía Moram Meus Ancestrais

Videoinstalação, 15'

Por Ana Clara Mattoso, Aline Luz, Janine da Silva, Thalia dos Santos Gonçalves

 

Nas águas profundas da Baía de Guanabara, seres ancestrais, humanos e não humanos, vivos ou mortos, são convocados por uma família de pescadoras para contar, mais uma vez, a história daqueles que permanecem. Em meio às ruínas e ressurgências de uma ilha cercada por indústrias petroquímicas, o que perdura são as memórias, lendas e gestos que sustentam uma tradição pesqueira transmitida há mais de oito gerações. Incorporando a presença de sua falecida avó Laurinda, Aline Luz, acompanhada por suas filhas, tia, mãe, sobrinhas e netas, tecem uma grande rede de pesca na praia, uma prática outrora comum entre os mais velhos, mas agora já extinta. Entre mulheres rebeldes, um vulcão adormecido, mexilhões verdes, cavalos, capivaras, bruxas e fantasmas, a rede continua a ser lançada ao mar.  


 

Flutuações

Instalação: videoprojeções sobre objetos em cerâmica 

Por Gabriela Bandeira, Aline da Silva, Assucena Oliveira, Andie Maral, Carolina Waite, Flaviele Souza Cruz e Sueli Bernardo

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A instalação Flutuações é uma obra que visa contextualizar o poder das marés, seus impactos nos corpos femininos do mar e dos manguezais, mas também as conexões cíclicas que nos unem e atravessam. Essas conexões são formadas pela ação coletiva, que evidencia os gestos das mãos que cuidam, pescam e se unem com carinho para resgatar e valorizar o conhecimento ancestral. Realçam que podem imaginar mundos possíveis.  São mãos que lutam para continuar seus movimentos em uma Baía de Guanabara que sofre com o estrangulamento de sua respiração por muitos problemas, como o lixo flutuante. A instalação será composta por 3.000 ondas feitas de cerâmica terracota (cada uma com 10 cm de tamanho) e três projeções de vídeo.

 

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Uma Guanabara 

Instalação, técnica mista

Composição sonora com arquivos e estrutura arquitetônica

Por Ana Emerich, Didino Ferreira, Gilliard Tavares, Thiago Caiçara

 

Uma Guanabara propõe imagens à escuta em uma poética de pequenas ecologias – nas vozes de seres de diferentes naturezas, orgânicos e inorgânicos. A composição com arquivos sonoros cria texturas, temporalidades e intervalos narrativos. Fragmentos do choro “Guanabara” (1952) e gravações realizadas em campo estão articuladas em um mesmo ambiente sônico: entre a paisagem e fabulação, entre a memória e urgências.  À contramão dos grandes impactos climáticos e políticos atuais, o trabalho foi construído a partir de gestos de intimidade, a bordo de um barco de pesca artesanal e com pescadores da baía. A tecnologia orgânica dos ouvidos operou como gesto de linguagem e como ferramenta estrutural da obra, traçando convivências ou fricções entre inauditos, estridências, navios transatlânticos, águas-vivas, detritos químicos, peixes, motores, currais de pesca, pássaros. Dos naufrágios às pontes, Uma Guanabara insiste.

 

Às pessoas, às águas e aos seres da Guanabara

Seus gestos de força e invenção de mundos

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Gestos de Pesca 

Videoinstalação - 3 canais, 10”

Por Marcela Cavallini, Gilliard Tavares, Geraldo, Tinguá e Gabriel Leal

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Gestos da Pesca surge de um conhecimento baseado nas práticas, técnicas, tecnologias, cosmologias e modos relacionais entre humanos, águas e seres que emergem de um território marcado por disputas petroquímicas e pelo atrito entre o tempo industrial e as temporalidades ancestrais. Nesse cenário, os corpos dos pescadores e os gestos da pesca formam uma coreografia situada e um vínculo com as memórias e os encontros da Baía de Guanabara. Em meio à delicadeza do entrelaçamento de mundos, tecnologias e gestos, testemunhamos a singularidade dos movimentos e ações que cada pescador carrega em seu corpo, bem como as cosmologias que moldam uma comunidade pesqueira.

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Do Lado de Lá

Videoinstalação - 3 canais, 10”

Por Walmeri Ribeiro e Thiago Caiçara

 

Navegar pelas águas da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, significa viajar por muitas paisagens, das mais bucólicas às mais distópicas. E longe dos olhos de turistas e de parte dos moradores cariocas, do lado de lá, estão ilhas que servem de armazéns e entrepostos para as indústrias de petróleo e gás.

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Do Lado de Lá, criado por Walmeri Ribeiro e Thiago Caiçara —pescador artesanal e mergulhador que trabalha para centros petrolíferos —, oferece uma perspectiva incorporada e situada a partir de uma paisagem marítima contestada. Convida o espectador a percorrer esse território invisível, permeado pelas infraestruturas petroquímicas e pelo seu profundo impacto nas águas, nas vidas humanas e nas existências mais do que humanas.

Realização

Financiamento

Apoio Institucional

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